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Elites querem aplicativos de chat confidenciais

Os executivos temem que os hackers estejam se voltando para os aplicativos seguros para o envio de mensagens. No encontro de Davos, que ocorre todos os anos em janeiro, na Suíça, eles podem falar pessoalmente  (Laurent Gillieron/European Pressphoto Agency)  

Na era analógica passada, políticos e diretores de empresas percorriam grandes distâncias para tratar de assuntos sigilosos, como acontece nas salas reservadas do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Mas, hoje em dia, entrar nos corredores do poder é tão fácil quanto abrir um aplicativo.

Aplicativos confidenciais seguros para o envio de mensagens, como WhatsApp, Signal e Confide, já encontram ampla aceitação entre políticos, executivos de empresas e outros importantes comunicadores. Alarmados por causa da vigilância, e temerosos de serem denunciados pelos hackers, eles estão deixando de usar os telefones e os e-mails, e recorrem aos aplicativos que permitem enviar textos em código e em seguida podem até autodestruir-se. Estes aplicativos têm vantagens óbvias, mas o seu uso está causando problemas em setores que são objeto de uma rigorosa regulamentação, em que a preservação cuidadosa de registros é um procedimento obrigatório.

Os aplicativos de texto já criam problemas em Wall Street, onde as normas relativas à área de finanças exigem que as empresas preservem e-mails, mensagens instantâneas e outra correspondência de negócios.

Fale com segurança!

Em março, Christopher Niehaus, banqueiro de investimentos do Jefferies Group, de Londres, se demitiu do cargo e foi multado em cerca de US$50 mil pelas autoridades britânicas por ter revelado informações confidenciais de clientes a um amigo pelo WhatsApp. E o Deutsche Bank proibiu os seus funcionários de enviarem mensagens de texto e de usar o WhatsApp pelos celulares de trabalho, a fim de coibir comunicações ilegais.

Os ataques cibernéticos a pessoas importantes – como aquele contra executivos da Sony Pictures, em 2014, e a divulgação pelo WikiLeaks de e-mails do ex-secretário de campanha de Hillary Clinton – puseram em alerta vermelho os participantes da reunião de Davos. A eleição do presidente Donald J. Trump provocou um boom dos aplicativos para textos encriptados, principalmente por quem temia que ele intensificasse a vigilância.

“Depois das eleições de 2016, supõe-se que, a certa altura, os e-mails de todo mundo se tornarão públicos”, observou Alex Conant, sócio da empresa de assuntos públicos Firehouse Strategies.

Os dias da governança por meio de mensagens de texto enviadas a grupos de pessoas talvez não estejam tão longe. No ano passado, descobriu-se que um grupo filiado ao Partido Conservador da Grã-Bretanha usava um recurso secreto de conversação do WhatsApp para coordenar uma campanha de mensagens favoráveis ao “Brexit”, enquanto outro grupo separado do WhatsApp estava sendo usado por políticos favoráveis à iniciativa “Remain”.

Conversas e programas de e-mail em código existem há anos, mas muitos deles eram toscos e difíceis de usar. Isto mudou quando o WhatsApp, programa de mensagem de propriedade do Facebook, no ano passado, abriu a criptografia como padrão para todos os seus usuários, facilitando até para as pessoas avessas à tecnologia a realização de conversas confidenciais.

Smartphone para comunicações privadas e troca de dados e mensagens seguras e confidenciais.
GranitePhone, celular seguro. 

As mensagens que se autodestroem para uso de funcionários federais podem constituir uma violação da lei. Membros do staff da Casa Branca, por exemplo, são obrigados, pela lei relativa aos registros presidenciais de 1968, a guardar cópias de sua correspondência de trabalho, enquanto funcionários de outras agências federais, como o Departamento de Estado, são obrigados a salvar suas comunicações de acordo com a lei dos Registros Federais. Quando estes registros são criados fora dos canais oficiais – ou no caso de desaparecimento de uma mensagem, é como se nunca tivessem sido criados – é uma parte da história que se perde.

“O fato de parte dos registros legais estar sendo destruída é um problema sério”, disse John Wonderlich, diretor executivo da Sunlight Foundation, grupo que defende o governo transparente. “Inúmeras exigências sobre preservação de registros não funcionam absolutamente no mundo moderno”.

POR KEVIN ROOSE
JULHO 18, 2017
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